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quinta-feira, 15 de junho de 2017

1P - 2º Bim - RENASCIMENTO COMERCIAL E URBANO

por Fernanda Machado

A Idade Média (476 a 1453) costuma ser conhecida como a época em que a economia européia esteve praticamente estagnada. Essa afirmação é feita porque a maior parte da população vivia nos feudos, que eram grandes áreas cercadas e isoladas uma das outras, com uma economia quase auto-suficiente. Desse modo, costuma-se dizer que o comércio de produtos praticamente desapareceu no período medieval.

No entanto, devemos relativizar essa idéia. Durante a Idade Média continuaram a existir profissionais como os artesãos (ferreiros e construtores de máquinas, por exemplo), comerciantes e negociantes. As pessoas não deixaram de adquirir certos equipamentos fundamentais à prática da agricultura (como enxadas e arados), que eram, portanto, fabricados e comercializados. Ainda que essas atividades de comércio tenham sido bastante restritas, numa Europa separada por feudos e ameaçada por guerras entre os povos do continente, isso não significa que elas tenham desaparecido.
Pintura que retrata uma feira comercial medieval
O período de auge do feudalismo foi o que se costuma chamar de Alta Idade Média (séculos V a X). Mas, a partir do século X, as coisas começaram a mudar. Diversos fatores ajudam a explicar por que a agricultura deixara de ser a principal atividade econômica, abrindo espaço para o chamado Renascimento comercial, que, a partir do século XI, inaugurou definitivamente a Baixa Idade Média, que se estenderia até o século XV.

Assim, a Europa vivia em meados do século X uma relativa época de paz, já que os ataques de um reino a outro haviam diminuído bastante. Essa queda no número de conflitos foi responsável por um considerável aumento populacional: em 300 anos a população da Europa cresceu de 8 milhões para 26 milhões de habitantes. Isso gerou um excedente populacional, que começou a necessitar de mais espaço e a expandir-se para além dos feudos.

Anteriormente, havia a população de comerciantes, negociantes e artesãos que, devido à sua prática profissional itinerante, começaram a se fixar no entorno dos feudos, constituindo, assim, as vilas e burgos. Dessa forma, aqueles que moravam nessas localidades eram conhecidos como burgueses e, ao longo dos séculos, essa denominação passou a denominar os comerciantes e os homens ricos.

Com o aumento demográfico na Europa, a população dos burgos foi crescendo também. Isso se dava porque muitos servos acabavam por fugir dos feudos para escapar das imposições da relação servil. Ou ainda, porque aqueles servos que mais causavam problemas aos seus senhores eram expulsos de suas terras, indo engrossar a população das vilas. Assim, essas pequenas localidades começaram a crescer e se tornar importantes concentrações de trabalhadores livres e comerciantes, onde passaram a ser organizadas feiras permanentes, o que resultou no surgimento de inúmeras cidades.
Village Baux (França): vila que nasceu e se desenvolveu aos pés de um castelo medieval

Como anteriormente a maior parte da Europa era constituída por feudos, esse processo foi chamado de "Renascimento urbano", pois as cidades voltaram a se tornar importantes núcleos econômicos. Ao mesmo tempo, isso indicou também a decadência dos vínculos feudais, pois os moradores da cidade passaram a negociar com os senhores o fim do pagamento de tributos e serviços, através da compra da chamada carta de franquia.

O aumento da liberdade política e econômica foi propiciando o aprimoramento do trabalho urbano. Os artesãos, que faziam os produtos consumidos pelos europeus, passaram a ser organizar em entidades para além de suas cidades. Para isso, formaram as guildas e as corporações de ofícios, que eram associações de trabalhadores de determinados profissões. Por exemplo, uma corporação de sapateiros ditava as normas de fabricação de seus produtos e as formas de sua comercialização, a fim de proteger esses profissionais no mercado e propiciar seu lucro.

Imagem simbolizando artesãos medievais realizando seu trabalho
Ainda que tenha favorecido principalmente o comércio, essa expansão espacial pelo continente europeu foi estimulada até pelos nobres feudais. Os donos dos feudos viam seus campos serem esgotados pela exploração contínua e tinham interesse em expandir suas riquezas territoriais. Assim, incentivavam a ocupação de outras áreas por seus servos, que através de outras formas de cultivo (como a utilização rotativa do solo) e do uso de um tipo de arado mais resistente, conseguiram expandir também a produção agrícola, num processo chamado de "Renascimento agrícola".

"Renascimento agrícola": melhorias no campo
Houve, por sua vez, um outro fator que caminhou paralelamente a esse novo comércio europeu e foi, ao mesmo tempo, o que contribui para que ele se expandisse mais: as Cruzadas. A Igreja católica, aproveitando-se da legião de homens desocupados nos centros urbanos, começou a realizar expedições para além dos limites continentais, dando um outro sentido para a economia medieval.
Cruzadas: conflito além dos motivos religiosos
Com a justificativa de conquistar povos para a fé cristã e ao mesmo tempo reconquistar territórios de outros povos, nasceram as Cruzadas, expedições militares e religiosas que foram praticadas durante quase 200 anos, entre os séculos XI e XIII. Foram realizadas oito dessas expedições nesse período, que atravessaram o continente europeu, cruzaram mares e chegaram a outros continentes. Isso fez com as rotas comerciais acompanhassem esse traçado aberto pela cruz e pela espada.

Artigo retirado de:
http://educacao.uol.com.br/historia/ult1690u19.jhtm

1P - 2º Bim - IGREJA MEDIEVAL

*por Fernanda Machado

Poder e riqueza da Igreja Católica
A partir do século 10, com a desagregação política que caracterizou a Idade Média, sem um poder centralizador no continente europeu que comandasse os diversos povos que nele viviam, a Igreja Católica obteve espaço para ir expandindo cada vez seu "império da fé". Assim, acreditar em Cristo pressupunha uma série de regras que todo indivíduo deveria seguir para merecer um lugar após a sua morte no Paraíso celeste, ao lado de Deus.

Objetivando fazer os povos merecerem esse lugar no Paraíso, a Igreja instruía os fiéis a não pecarem, obedecendo aos mandamentos divinos e fazendo caridade. Essa caridade, por sua vez, além da ajuda ao próximo, também estavam diretamente relacionadas à doação de bens para a Igreja Católica, a fim de ajudá-la a prosseguir em sua missão.

Os nobres, então, como forma de se livrarem do que a religião considerava seus pecados terrenos, deveriam doar à Igreja bens materiais, como dinheiro, terras e riquezas. Portanto, o crescimento do poder dessa instituição e o tamanho de sua fortuna estão diretamente relacionados com a capacidade que a Igreja tinha de fazer com que os fiéis acreditassem nas verdades que ela pregava. Mais do que acreditar nelas, os fiéis deveriam temer a ira divina e o risco de queimarem no fogo do Inferno após a morte.

Mas como a Igreja fazia os povos acreditarem nisso e a obedecerem? Em primeiro lugar, não foi fácil o processo de definição sobre quais práticas cristãs eram certas ou erradas. Desde o século 4, sob o Imperador romano Constantino, começaram a definir-se os dogmas, com o Concílio de Nicéa, realizado em 325. Os dogmas são as verdades inquestionáveis que norteiam os católicos. No decorrer dos séculos, outros dogmas foram sendo criados, alguns foram reafirmados, outros negados.

Arquitetura e arte cristã
Esse é o sentido das enormes catedrais, com imagens e vitrais que mostravam as personagens e passagens bíblicas. A maioria da população européia, quase a totalidade dos pobres, era analfabeta nesse período. Assim, as imagens das igrejas eram um meio de ensinar os fiéis as histórias bíblicas. Além disso, o ar monumental, sombrio e grandioso dos vitrais e estátuas tinham o sentido de impressionar os fiéis, a fim de que não desobedecerem os mandamentos de Deus.

Essas características descritas acima definem os estilos arquitetônicos românico e gótico. Ainda é possível encontrar igrejas como essas até os dias de hoje. Isso se dá ou porque elas sobreviveram em alguns lugares da Europa por mais de mil anos, ou foram copiadas, alguns séculos depois, em outros lugares do mundo. A Catedral da Sé, em São Paulo, por exemplo, reproduz o estilo gótico medieval.


Igreja da Nossa Senhora da Azinheira (Portugal) com seus traços de arquitetura românica e a Catedral de Colônia (Alemanha) com seus traços de arquitetura gótica

Heresias, perseguições e tortura
A segunda estratégia dos católicos para impor sua fé e seu poder foi a perseguição e a guerra religiosa. A perseguição aconteceu desde os primeiros tempos em que a Igreja Católica se consolidou no século 4. No decorrer dos séculos, essa perseguição foi se tornando cada vez mais feroz, terminando, inclusive, em condenação à morte dos pecadores.

Houve, então, a caça aos hereges, aqueles que discordavam dos ensinamentos da Igreja e interpretavam o cristianismo de uma outra forma. Eles foram perseguidos pelo Tribunal do Santo Ofício, conhecido também como Tribunal da Inquisição, criado no ano de 1231, para combater o catarismo, uma seita cristã dissidente do catolicismo romano.

Muitas vezes, mesmo sem um conjunto de provas bem acabado, uma pessoa poderia ser acusada de transgredir o catolicismo e, com isso, obrigada a se apresentar a um tribunal. Geralmente, quando a confissão não era prontamente declarada, os condutores do processo estipulavam a prisão do acusado. Nesse momento, o possível herege era submetido a terríveis torturas que pretendiam facilitar a confissão de todos os crimes dos quais era acusado.

As torturas poderiam ser variadas. Em uma última modalidade da série, podemos destacar a utilização da chamada “tortura d’água”. Neste aparelho de tortura, o acusado era amarrado de barriga para cima em uma mesa estreita ou cavalete. Sem poder esboçar a mínima reação, os inquisidores introduziam um funil na boca do torturado e despejavam vários litros de água goela abaixo. Algumas vezes, um pano encharcado era introduzido na garganta, causado a falta de ar.


Tortura d´água e do pendulo


Tortura - Cama de estiramento, Iron Maiden (Dama de Ferro) e Cadeira Inquisitória


Iluminura medieval que representa a queima de pessoas consideradas hereges

O conhecimento e as universidades
Para concluir, é importante entender que, ao mesmo tempo em que a Igreja Católica teve o controle das práticas e do pensamento de grande parte das populações européias, usando para isso, inclusive, de meios cruéis, foi no seu interior, que importantes práticas culturais se desenvolveram. Por exemplo, as universidades surgiram em decorrência das atividades de ensino e reflexão filosófica praticadas no interior dos mosteiros.

Os mosteiros eram locais de reclusão do clero, onde os homens que estudavam a doutrina cristã, mantinham-se praticamente isolados da vida em sociedade, dedicando-se ao conhecimento. Os monges formavam, desse modo, o clero regular, que indicava o regime de reclusão ou semi-reclusão em que viviam. Em contraste, havia o clero secular (que vem da palavra mundo, em latim), que cuidava da administração da Igreja e do contato direto com os fiéis: eram o Papa, os bispos, os padres etc.

Dessa forma, foi, então, através do ensinamento dos padres que o conhecimento desenvolveu-se no período medieval na Europa. Assim, dentro das igrejas e catedrais, ensinavam-se às pessoas de origem nobre assuntos como gramática, retórica, lógica, geometria, música, dentre outros.
Iluminura do século XV que mostra uma cena de aula na Universidade de Bolonha (Itália)

Por fim, a partir do século 11, com a demanda por conhecimentos mais práticos na área do comércio e da negociação, as universidades surgiram, inicialmente controladas pela Igreja. Em diversos pontos da Península Itálica, na França e na Inglaterra apareceram essas primeiras instituições de ensino superior. Já no final do século 14, havia mais de 40 instituições deste tipo espalhadas pelo continente europeu.


Universidade de Oxford (Inglaterra)

Música e literatura
Poucas vezes o Homem teve a sua existência tão marcada pela espiritualidade quanto na Idade Média, e poucas vezes foi tão feliz ao tentar imprimir na arte os sinais do invisível.

A rápida expansão do cristianismo exige um maior rigor do Vaticano, que unifica a prática litúrgica romana no século VI. O papa Gregório I (São Gregório, o Magno) institucionaliza ocanto gregoriano, que se torna modelo para a Europa católica. A notação musical sofre transformações, e os neumas são substituídos pelo sistema de notação com linhas. O mais conhecido é o de Guido d'Arezzo (995? 1050?). No século XI, ele designa as notas musicais como são conhecidas atualmente: ut (mais tarde chamada dó), ré, mi, fá, sol, lá, si.



Os sistemas de notação impulsionam a música polifônica, já em prática na época como a música enchiriades, descrita em tratado musical do século IX, que introduz o canto paralelo em quintas (dó-sol), quartas (dó-fá) e oitavas (dó-dó). É designado organum paralelo e no século XII cede espaço ao organum polifônico, no qual as vozes não são mais paralelas e sim independentes umas das outras.

A atividade de compositores profanos, como os minnesangers e os meistersangers germânicos e os trovadores e troveiros franceses, é intensa entre os séculos XII e XIII. Os trovadores da Provença, ao sul da França, e os troveiros, ao norte, exercem forte influência na música e poesia medievais da Europa. Suas músicas de cunho popular, em dialetos franceses, enfatizavam aforismos políticos (como no compositor-poeta Marcabru), canções de amor (Arnaud Daniel, Jofre Rudel e Bernard de Ventadour), albas, canções de cruzadas, lamentações, duelos poético-musicais e baladas. As bases para suas melodias são os modos gregorianos, porém de ritmo marcado e dançante, com traços da música de origem moçárabe do mediterrâneo.

Adam de la Halle (1237-1287) troveiro francês, menestrel da corte de Roberto II de Arras, a quem acompanha em viagens a Nápoles. Trata seus poemas em composições musicais polifônicas, como os 16 rondós a três vozes e 18 jeu partis (jogos repartidos), em que se destacam o Jogo de Robin e Marion e o Jogo da folha, que podem ser classificados como as primeiras operetas francesas.
O Trovadorismo é a primeira manifestação literária da língua portuguesa. Seu surgimento ocorre no mesmo período em que Portugal começa a despontar como nação independente, no século XII; porém, as suas origens dão-se na Provença, de onde vai se espalhar por praticamente toda a Europa.

Fonte:
http://educacao.uol.com.br/historia/
http://www.historiadomundo.com.br
http://reflexaoemmusica.blogspot.com/2009_05_03_archive.html

1P - 2º Bimestre - ORIGENS DO FEUDALISMO E SUAS DIVISÕES SOCIAIS

O feudalismo é o modo de produção que ocorreu em partes da Europa, durante boa parte da Idade Média. A maioria da população se estabeleceu nos feudos (unidades políticas independentes), visando ficar longe das cidades que sofriam com ataques e pilhagens. 

As origens do feudalismo remontam ao século III, quando o sistema escravista de produção no Império Romano entrou em crise. Diante da crise econômica, militar e das invasões germânicas, muitos dos grandes senhores romanos abandonaram as cidades e foram morar nas suas propriedades no campo. Esses centros rurais, conhecidos por vilas romanas, deram origem aos feudos medievais. 

No sistema feudal, o rei concedia terras a grandes senhores. Estes, por sua vez, davam terras a outros senhores menos poderosos, chamados cavaleiros, que, em troca lutavam a seu favor. Quem concedia a terra era um suserano, e quem a recebia era um vassalo. As relações entre o suserano e o vassalo eram de obrigações mútuas, estabelecidas através de um juramento de fidelidade. 

A sociedade feudal era dividida em camadas sociais e a passagem de uma camada social para a outra era praticamente impossível. De acordo com a função específica de cada camada alguns historiadores classificam-na como uma sociedade formada por aqueles que lutam (nobres), aqueles que rezam (clero) e aqueles que trabalham (servos). Os servos não tinham a propriedade da terra e estavam presos a ela. Não podiam ser vendidos como se fazia com os escravos, nem tinham liberdade de abandonar as terras onde nasceram. 

A nobreza e o clero compunha a camada dominante dos senhores feudais, ou seja, aqueles que tinham a posse legal da terra e do servo e que dominavam o poder político, militar e jurídico. O alto clero era composto pelos seguintes membros: papa, arcebispos e bispos. O baixo clero era composto pelos padres, e monges. 

A nobreza era também hierarquizada estando dividida em alta e baixa nobreza. Alta nobreza: duque, marquês e conde. Baixa nobreza: visconde, barão e cavaleiro. Os servos viviam em extrema miséria, pois, além de estarem presos à terra por força de lei, estavam presos aos senhores, a quem deviam obrigações como: 
• a talha (dar parte da produção ao senhor feudal); 
• a corvéia (trabalhar alguns dias na semana nas terras do senhor); 
• as banalidades (pagamento ao senhor pela utilização das instalações do feudo). 

Referências: 
http://educacao.uol.com.br/historia/ult1690u14.jhtm 
http://www.historiadomundo.com.br/idade-media/feudalismo.htm

1P – 2º Bimestre – REINO DOS FRANCOS

Por Rainer Sousa 

Entre os diferentes povos responsáveis pela invasão do Império Romano do Ocidente, os francos destacam-se por estabelecer um governo centralizado na Europa, entre os séculos V e IX. Estabelecidos na região da Gália, realizaram um processo de conquistas e unificações que se consolidou durante o reinado de Clóvis, neto de Meroveu, primeiro rei da chamada dinastia merovíngea. Contando com a destreza militar, essa dinastia conseguiu vencer outros reinos germânicos e controlar a disputa política entre os proprietários de terra. 

Empreendendo uma vitória militar sobre os alamanos, Clovis conseguiu colocar toda a região da Gália (atual França) sobre o domínio dos francos. Antes disso, em 507, com o apoio dos burgúndios, venceu os visigodos na Batalha de Vouillé. Para consagrar a unidade política dos territórios conquistados, o rei Clovis firmou alianças com os bispos da Gália. Depois da vitória contra os alamanos na Batalha de Tolbiac (496), Clovis converteu-se ao cristianismo. 

Depois da morte de Clóvis, uma sucessão de maus administradores fez com que essa época ficasse conhecida pela predominância dos “reis indolentes”. As conturbações do período foram superadas durante o reinado de Clotário II, que em 613 conseguiu reunificar os territórios do reino. Para isso, distribuiu terras (condados e marcas) entre os nobres proprietários de terra. A partir de 640, grande parte das decisões políticas do reino foi repassada ao majordomo. 

Esse cargo administrativo dava poderes para que um nobre tomasse importantes decisões com respeito ao palácio real. Ao longo do tempo, seu poder foi ampliado fazendo com que sua autoridade fosse maior que a do próprio rei. Em 732, o majordomo Carlos Martel organizou os exércitos contra o avanço dos mouros na chamada Batalha de Poitiers. Com a morte de Carlos Martel, o posto de majordomo foi dividido entre seus dois filhos: Carlomano e Pepino, o Breve. 

Carlomano abriu mão do cargo para retirar-se em um mosteiro. Pepino, O Breve, consolidou uma aliança com o papa Zacarias para que o mesmo fosse elevado ao posto real. Dessa forma, Zacarias impôs um golpe político autorizando a prisão do rei Childerico III em um mosteiro. Pepino tornou-se o primeiro rei da chamada dinastia Carolíngia. No ano de 754, o papa Estevão II pediu para que Pepino interviesse contra os lombardos que ocupavam a Península Itálica. Vitorioso na empreitada militar, Pepino doou as terras para a Igreja, que a nomearam enquanto Patrimônio de São Pedro. 

Depois da morte de Pepino, o trono da dinastia carolíngia foi ocupado por Carlos Magno em 768. Convertido à fé cristã, Carlos realizou intensas campanhas militares contra os mouros na Península Ibérica. A partir de suas vitórias dominou a região das Marcas Hispânicas, que obrigou os povos sobre o seu domínio a se converterem ao cristianismo. A máxima expansão dos territórios foi vista pela Igreja como um reavivamento do Império Romano. Por isso, no dia 25 de dezembro de 800, o papa Leão III o corou como imperador romano do Ocidente. 

Carlos Magno

Ao estabelecer o domínio sobre uma grande quantidade de territórios, Carlos Magno tratou de realizar alianças capazes de sustentar a centralização política de seus domínios. Os domínios do império de Carlos Magno eram divididos em duzentos condados administrativos entre nobres e bispos. O favor político trazido pela descentralização política foi seguido por medidas fiscalizantes. Cada nobre era obrigado a prestar um juramento de fidelidade ao rei. Ao mesmo tempo, Carlos Magno criou o cargo de missi dominici, um conjunto de fiscais que mantinha o rei informado. 

Outra importante ação tomada por Carlos Magno foi a criação das capitulares, conjunto de leis escritas que legitimavam o poder imperial. Essas leis tinham grande importância dentro das regiões que originalmente pertenciam ao reino dos francos. Nas novas regiões conquistadas, as tradições políticas e jurídicas eram plenamente preservadas. Substituindo o poder do papa nos territórios, Carlos Magno poderia nomear cargos clericais em seus domínios. 

A estabilidade encontrada no interior do Império fez com que os centros urbanos e o comércio florescerem. As mercadorias circulavam pelo norte da Europa, convivendo com as unidades agrícolas feudais. A prosperidade econômica conviveu com uma intensa atividade cultural vivida graças à construção de escolas, igrejas e a tradução de diversas obras greco-romanas. Pedro de Pisa, Eginhard e Alcuíno de York formavam uma classe intelectual aliada ao imperador. 

Com a morte de Carlos Magno, em 814, Luis Piedoso subiu ao governo. No ano de 840, Luis Piedoso faleceu deixando três filhos que disputaram a sucessão do trono. Depois de grandes conflitos, os três irmãos resolveram sua contenda com a assinatura do Tratado de Verdun, em 843. Carlos, O Calvo, ficou com os domínios da França Ocidental; Luis, O Germânico, controlou a França Oriental; e Lotário dominou a França Central. 

A descentralização política dos territórios conviveu com a invasão dos normandos, que desestabilizaram o governo. O prestígio alcançado pelos nobres que lutaram contra a invasão normanda foi prestigiado pelo domínio político dos territórios. O fim do Reino dos Francos foi marcado pela dinastia capetíngia, que tinha o controle somente sobre a França Ocidental.

quarta-feira, 17 de maio de 2017

1P - 2º Bim - REVISÃO PARA A PROVA

ROMA ANTIGA
*por Fernanda Machado do UOL

Para entender como Roma conseguiu adquirir tanta importância e poder é necessário conhecer sua história em mais detalhes. A origem da sociedade romana não tem uma evidência concreta. Baseia-se numa lenda, que era uma maneira antiga de explicar fatos cuja memória se perdeu em tempos muito distantes. Assim, o poeta romano Virgílio alimentou a fantasia de seu povo ao contar que Roma teria sido fundada por dois irmãos: Rômulo e Remo. 

Os dois haviam sido abandonados pelo pai ao nascer e só sobreviveram por terem sido alimentados por uma loba. O fato é que os irmãos cresceram, vingaram-se do pai e receberam a missão de fundar uma cidade no local onde foram encontrados pelo animal. Essa lenda criou também a data exata do "nascimento" de Roma: os irmãos teriam fundado a cidade em 753 a.C. O próprio nome dessa localidade derivou do nome um deles (Rômulo), que acabou matando seu irmão Remo devido a disputas políticas. 

Como se pode ver, a origem de Roma foi inventada através de uma história que misturava o instinto animal (simbolizado pela loba que amamentou os irmãos), com o nascimento de algo novo (a cidade fundada num lugar deserto), retornando aos instintos agressivos no final (simbolizados na rivalidade entre os irmãos e no assassinato de um deles). Assim, essa origem imaginada serviu para os vários imperadores que a governaram justificarem o caráter agressivo e conquistador dessa sociedade romana. 

Patrícios e plebeus 
Se não temos dados concretos sobre sua fundação, podemos começar a contar a história de Roma, a partir da monarquia (753 a 509 a.C.). Nesse período, o meio de subsistência principal daquele povo era a agricultura. A sociedade romana dividia-se em quatro grupos, segundo a posição política, econômica e social de cada pessoa: havia patrícios, plebeus, clientes e escravos. 

A palavra "patrício" (do latim pater, pai) indicava o chefe da grande unidade familiar ou clã. Esses chefes, os patrícios, seriam descendentes dos fundadores lendários de Roma e possuíam as principais e maiores terras. Eles formavam a aristocracia, sendo que somente esse grupo tinha direitos políticos em Roma e formava, portanto, o governo. 

Já os plebeus eram descendentes de populações imigrantes, vindas principalmente de outras regiões da península Itálica, ou fruto dos contatos e conquistas romanas. Dedicavam-se ao comércio e ao artesanato. Eram livres, mas não tinham direitos políticos: não podiam participar do governo e estavam proibidos de casar com patrícios. 



Num outro patamar, vinham os clientes, também forasteiros, que trabalhavam diretamente para os patrícios, numa relação de proteção e submissão econômica. Assim, mantinham com os patrícios laços de clientela, que eram considerados sagrados, além de hereditários, ou seja, passados de pai para filho. 

Por fim, os escravos, que inicialmente eram aqueles que não podiam pagar suas dívidas e, portanto, tinham que se sujeitar ao trabalho forçado para sobreviver. Depois, com as guerras de conquista, a prisão dos vencidos gerou novos escravos, que acabaram se tornando a maioria da população. 

República e expansão 
As conquistas aos outros povos e regiões trouxeram o crescimento das atividades comerciais e das negociações em moeda. A riqueza se concentrou ainda mais nas mãos dos patrícios, que se apropriavam das novas terras. Isso tudo dividiu profundamente a sociedade romana entre ricos (aristocratas) e pobres (plebeus), além da grande massa de escravos que ia se formando. Também os membros do exército, enriquecidos pelas conquistas e saques, tornaram-se uma importante camada social. 

A expansão romana iniciou-se na República (509 a 27 a.C.), por meio das lutas contra os povos vizinhos para obterem escravos (séculos. 5 a 3 a.C.). Depois disso, expandiu-se para a Grécia (séc. 3 a.C.), Cartago (cidade africana que controlava o comércio marítimo no Mediterrâneo) e Macedônia (com a conquista da Grécia, havia formado um grande império), sendo estas duas cidades conquistadas no séc. 2 a.C. Na sequência, o Egito, a Britânia (que corresponde aproximadamente à atual Grã-Bretanha) e algumas regiões da Europa e da Ásia foram conquistados no séc. 1 d.C. 



Desde sua origem, Roma fora governada por reis. Um deles foi expulso por tirania em 509 a.C. e o governo da República se estabeleceu, propondo uma nova divisão de poderes entre o Senado, os Magistrados e as Assembleias. 

Com as conquistas militares de novos territórios, os generais do Exército acumularam muitos poderes políticos e para deterem as revoltas dos povos dominados, resolveram concentrar o poder. Júlio César era um general que havia conquistado a Gália em 60 a.C. Depois disso, deu um golpe em Roma, atacando-a no ano de 49 a.C. e proclamando-se ditador perpétuo (ou seja, governaria com poderes ilimitados até a sua morte). Foi nesse mesmo ano que conseguiu dominar o Egito. No entanto, nem ele nem seu governo tiveram vida longa: foi assassinado pelos próprios romanos em 44 a.C. 

O Império Romano 
Com a morte de Júlio César, três líderes políticos governariam juntos. Um deles, Otávio, derrotou os outros e foi o primeiro imperador romano em 31 a.C., recebendo do Senado os títulos de Princeps (primeiro cidadão), Augustus (divino) e Imperator (supremo). Passou para a história com o nome de Augusto, embora essa denominação acompanhasse todos os imperadores que o sucederam. Roma teve 16 imperadores entre os séculos 1 e 3 d.C. A partir daí, começou a desagregação do Império e o descontrole por parte de Roma dos povos dominados. 

Otávio Augusto

Entre os séculos 3 e 4 d.C., o imperador Dioclesiano dividiu o Império Romano numa parte ocidental e noutra oriental. Constantino, o imperador seguinte, tomou duas importantes medidas: reunificou seus domínios, tornando a capital do Império Romano Bizâncio (depois chamada de Constantinopla e, hoje, Istambul, na Turquia), localizada na parte oriental dos domínios romanos e legalizou a prática do cristianismo. 



Finalmente, Teodósio, um dos últimos imperadores, tornou o cristianismo religião oficial de todo o Império e dividiu-o novamente em duas partes, sendo as capitais Roma e Constantinopla. A primeira foi dominada pelos povos germanos em 476 e marcou o fim do Império Romano do Ocidente. A segunda foi dominada em 1453 pelos turcos e marcou o fim do Império Romano do Oriente.



                     IMPÉRIO BIZANTINO
*por Alex Federle do Nascimento 

O Império Bizantino foi herdeiro do Império Romano do Oriente tendo sua capital em Constantinopla ou Nova Roma. Durante o seu período de existência, o grande governante que teve em sua região foi Justiniano, um legislador que mandou compilar as leis romanas desde a República até o Império; combateu as heresias, procurando dar unidade ao cristianismo, o que facilitaria na monarquia. 



Internamente enfrentou a Revolta de Nika (fruto da insatisfação popular contra a opressão geral dos governantes e aos elevados tributos), já no aspecto externo realizou diversas conquistas, pois tinha o objetivo de reconstruir o antigo Império Romano. Contudo, esse império conseguiu atravessar toda a Idade Média como um dos Estados mais fortes e poderosos do mundo mediterrâneo. É importante ressaltar que o Império Bizantino ficou conhecido por muito tempo por Império Romano do Oriente. No entanto, este não foi capaz de resistir à migração ocorrida por germanos e por hunos, o que acabou por fragmentar em reinos independentes. 

Como população teve a concentração dos Sírios, Judeus, Gregos e Egípcios. Destacando-se três governadores durante todo império: Constantino (fundador de Constantinopla); Teodósio (dividiu efetivamente o império); e, Justiniano. Este durante o seu governo atingiu o apogeu da civilização bizantina. Pois, teve uma política externa; retomou vários territórios; modificou aspectos do antigo Direito Romano (o Corpus juris Civilis – Corpo do Direito Civil); e ainda, realizou a construção da Igreja de Santa Sofia, altamente importante por seu legado cultural arquitetônico. 


Santa Sofia


Santa Sofia

Com a utilização de uma política déspota e teocêntrica, utilizou uma economia com intervenção estatal, com comércio e desenvolvimento agrícola. Além do mais, durante o período denominado por Império Bizantino, a economia era bastante movimentada, principalmente no comércio marítimo e sob o controle o estado. Sendo que, o seu controle deu-se por Constantinopla até o século XI. 

A sociedade urbana demonstrou enorme interesse pelos assuntos religiosos, facilitando o surgimento de heresias, como por exemplo, a dos monofisistas e dos iconoclastas, e de disputas políticas. 


Imperador Justiniano (ao centro)

No âmbito religioso, as heresias deram-se através do arianismo que negaram a Santíssima Trindade; além do caso do arianismo, teve ainda, a questão monofisista, esta nega a natureza humana de Cristo, afirmando que Cristo tinha apenas natureza divina (o monofisismo foi difundido nas províncias do Império Bizantino e acabou identificada com aspirações de independência por parte da população do Egito e da Síria); por fim, no tocante à iconoclastia, ocorre a grande destruição de imagens e a proibição das mesmas nos templos. Durante o período que ficou conhecido por Cisma do Oriente, ocorre a divisão da Igreja do Oriente, a igreja divide-se em Católica Romana e Ortodoxa Grega.








IMPÉRIO ÁRABE
*por Érica Turci do UOL 

É comum, nos dias de hoje, ouvir-se falar em árabes e islamismo, ou em muçulmanos, como se essas palavras fossem sinônimos. Na verdade, elas têm significados diferentes, embora estejam diretamente relacionadas entre si. É preciso, portanto, compreender melhor esse relacionamento para desfazer a confusão e entender com mais clareza alguns fatos da atualidade, como os frequentes atentados terroristas cometidos em nome da religião islâmica - apesar de os preceitos do islamismo, como o de várias outras religiões, serem essencialmente pacifistas. 

Os árabes são um povo que se desenvolveu na península Arábica, uma vasta região localizada na junção dos continentes africano e asiático. Ao longo da Idade Média, porém, os árabes se expandiram e formaram um grande império. Sua cultura, que tem como principal característica a crença no islamismo, foi então assimilada por diversos outros povos. Vamos acompanhar o desenvolvimento dessa história para compreender porque se pode falar, hoje, na existência de um mundo árabe. 



A península Arábica pode ser dividida, mais ou menos, em duas áreas geográficas: a sudoeste encontra-se uma região montanhosa e fértil, irrigada por vários riachos, com bons índices de pluviosidade e banhada pelo mar Vermelho. O restante do território é formado por desertos, onde existem oásis esparsos. É esse o cenário onde os árabes surgiram e se desenvolveram há milênios. 

Até meados do século VII, esse povo não se organizava em um Estado centralizado, mas se dividia em dezenas de tribos independentes. Cada uma delas, era composta por clãs (grandes famílias) unidos em torno de um líder (o sheik), escolhido por seus membros. Cada tribo tinha o seu próprio deus e o seu próprio código de ética. Para os árabes, a tribo vinha em primeiro lugar: qualquer ameaça a qualquer um de seus integrantes eram considerada uma ameaça coletiva. Cada membro da tribo tinha a obrigação de cuidar dos outros. Não existia espaço para o individualismo. 

A maior parte da população árabe era formada pelos beduínos, pastores e comerciantes nômades que viviam no deserto. Essas tribos em especial, devido à grande dificuldade de sobrevivência numa região inóspita, se enfrentavam constantemente, travando lutas intermináveis pelo controle dos oásis e praticando as razias, ou seja, os saques às outras tribos. 

Já os grupos tribais que se estabeleceram na região fértil do sudoeste puderam desenvolver a agricultura, tornaram-se sedentários e fundaram cidades. No final do século VI, a cidade de Meca (na atual Arábia Saudita) se tornou a mais importante delas. Era controlada pela tribo dos coraixitas, que desenvolveram um rico comércio. Além disso, Meca era também um centro de peregrinação religiosa, pois ali se encontrava a < >Caaba, o mais importante dos templos árabes. Esse templo, em formato de cubo, na época, abrigava os ídolos das várias tribos. 

Segundo a tradição, foi construído por Abraão e seu filho Ismael num tempo muito remoto, o que demonstra ser única a origem de árabes e judeus, sendo ambos os povos semitas. Na Caaba era proibido qualquer tipo de hostilidade, o que beneficiava as atividades mercantis, características dos árabes em geral. Tanto os beduínos do deserto quanto os que viviam nas cidades desenvolveram um intenso comércio com as regiões vizinhas: os povos do litoral africano, os persas, os bizantinos e os judeus. Em cada cidade árabe, era comum existir pequenas comunidades de estrangeiros que viviam do comércio internacional. 

Maomé e o Islã 
Maomé (Muhammad ibn Abdallah) nasceu em Meca, em torno de 570 d.C.. Era membro da tribo dos coraixitas, mas fazia parte de uma família empobrecida, os haxemitas. Tornou-se comerciante e, desde pequeno, conviveu com pessoas de diversas culturas. A tradição diz que somente ao se casar com uma viúva muito rica (Khadija), Maomé pôde ter um conforto material. A partir de então, passou a se retirar para as regiões montanhosas a fim de meditar sobre as diversas culturas e religiões que conhecia. Conta-se que sempre teve um espírito inquieto, era um grande observador, além de questionador. 


Maomé

Em 610, num retiro no Monte Hira, Maomé acordou no meio da noite sentindo uma presença arrebatadora: na sua frente viu um anjo (que mais tarde se identificou como o arcanjo Gabriel) que lhe ordenava: “Recita!”. Maomé pensou que estivesse enlouquecendo. Tentou se livrar daquela presença, mas, para todos os lados que corria, deparava com o anjo dizendo: “Recita!”. Porém, ele não compreendia a ordem do anjo, pois não era um recitador (um tipo comum de adivinho no mundo árabe da época). 

O anjo, então, o abraçou fortemente, de modo que o homem sentiu o ar sumir de seus pulmões. Mesmo assim, Maomé resistiu a mais dois abraços. Depois do terceiro, Maomé, embora sem fôlego, abriu seus lábios e começou a falar de coisas sobrenaturais das quais jamais teve consciência. Dessa forma surgiram as primeiras palavras divinas na língua árabe (que se tornou uma língua sagrada, assim como o latim para os católicos ou o hebraico para os judeus): 

Recita em nome do teu Senhor que criou; Criou o homem de um coágulo. Recita que teu Senhor é Generosíssimo, Que ensinou através do cálamo, Ensinou ao homem o que este não sabia!” 

A partir dessa ocasião, Maomé passou a comunicar-se com o arcanjo Gabriel e, numa espécie de transe, recitava as palavras divinas para os membros de sua família, que as interpretavam como se Alá (Al- Lá: “o Deus”) estivesse falando através dele. As palavras ditas por Maomé eram poéticas, de uma beleza tão envolvente, de uma verdade tão contundente, que ele passou a ser considerado um profeta e a ter muitos seguidores. 

Por mais de três anos, Maomé relutou em defender a crença no Deus único, que o arcanjo Gabriel lhe impunha, pois sabia que as tribos não aceitariam um poder que fosse maior e que pudesse agir além de suas próprias condutas religiosas e éticas. Mas, a cada aparição, o arcanjo era mais enfático: era necessário defender e propagar a crença monoteísta entre os árabes. 

Dessa forma surgiu, segundo a tradição, uma nova religião que se chamou Islã (ou islamismo), que em português significa “submissão”. O seguidor do Islã se chama muslin (ou muçulmano), “fiel, crente”. Maomé passou a ser considerado o “selo dos profetas”, ou seja, o que veio depois de todos os profetas judeus e cristãos (Cristo é visto como um profeta pelos muçulmanos), para finalizar a revelação divina. 

Enquanto Maomé recitava as palavras de Alá, alguns poucos ouvintes alfabetizados as escreviam. Daí surgiu o livro sagrado do Islã, o Al – qurãn (Corão ou Alcorão), que quer dizer “A Recitação”. (O livro sagrado é considerado de tamanha beleza poética que somente os que compreendem a língua árabe podem perceber seu encantamento e poder de persuasão). 

A Hégira e a formação do Estado Árabe 
A partir do momento em que Maomé enfatizou o caráter monoteísta de sua religião e a necessidade de os muçulmanos divulgarem as palavras divinas, os coraixitas (elite dominante de Meca) passaram a perseguir Maomé e seus fieis, pois não viam com bons olhos a crença no Deus único do islamismo. Temiam a diminuição das peregrinações religiosas a Meca, assim como dos lucros comerciais que elas proporcionavam. 

Em 622 d.C., Maomé recebeu um convite dos habitantes de Yatrib, cidade que ficava a 10 dias de viagem a pé de Meca. Lá duas tribos rivais (aws e khazraj) viviam em conflito há muito tempo, o que as estava destruindo. As duas decidiram pedir orientação a Maomé, que para lá se dirigiu, pacificando-as. Esse episódio é conhecido como Hégira (“emigração”, “fuga”), e marca o início do calendário muçulmano. Em Yatrib, Maomé organizou a primeira grande comunidade islâmica, e a cidade passou a se chamar Madinat al Nabî (ou Medina “cidade do profeta”). 

Desse momento em diante, os muçulmanos de Medina tiveram que enfrentar os ataques de diversas tribos politeístas. Uma série de batalhas se sucedeu e várias tribos foram conquistadas e convertidas ao Islã, embora muitas outras tribos tenham se convertido por vontade própria à nova religião. 

Em 630, Maomé, a frente de um poderoso contingente militar, conseguiu tomar Meca, pondo fim às guerras intertribais e instaurando o Estado Teocrático Árabe, do qual se tornou o líder político e religioso. O profeta, com suas próprias mãos, destruiu todos os ídolos tribais da Caaba, transformando-a no mais importante templo do Islã. 


Caaba

Para não entrar em atrito com as tradições específicas das diversas tribos, Maomé permitiu que continuassem a segui-las, desde que se comprometessem a cumprir as cinco obrigações do islamismo, o que acabou por unificar todas as tribos em nome de Alá. Assim formou-se a Ummah (Comunidade Muçulmana), o que de certa forma, manteve o principio cultural das tribos árabes: a ummah era mais importante do qualquer indivíduo, todos eram responsáveis uns pelos outros e qualquer um que se colocasse contra as palavras do profeta era considerado um criminoso. 

As cinco obrigações islâmicas 
1) crer em Alá como deus único e em Maomé como seu último profeta; 
2) orar cinco vezes ao dia com a cabeça voltada em direção a Meca; 
3) dar esmolas; 
4) jejuar no Ramadã (nono mês do calendário islâmico); 
5) toda pessoa saudável deve visitar a Caaba (em Meca) pelo menos uma vez na vida. 

Maomé unificou as tribos árabes sob um único Estado baseado na religião islâmica e se tornou o primeiro chefe político e líder religioso da comunidade muçulmana (a ummah). Desde então, para os árabes, a política e a religião estão interligadas: para um muçulmano ser um bom cidadão deve seguir as palavras sagradas de seu profeta Maomé.

sexta-feira, 31 de março de 2017

1P - 1º Bim - Revisão para a 2ª Prova

MESOPOTÂMIA
por Érica Turci


Na Alta Mesopotâmia, região ocupada por uma das chamadas Civilizações Hidráulicas, as cheias dos rios Tigre e Eufrates ocorriam entre os meses de abril e maio, quando as geleiras das montanhas da Armênia derretiam e chegava a temporada das chuvas. Registros da época descrevem alagamentos que cobriam o solo "até onde os olhos não alcançam", muitas vezes destruindo tudo ao redor.

As técnicas para controlar tais cheias se desenvolveram ao mesmo tempo em que a civilização chegou aos povos mesopotâmicos. O trabalho árduo, de todos os membros das aldeias, possibilitou a construção de obras hidráulicas, como muros de contenção, diques, canais de irrigação e poços de armazenamento de água para o período da seca.


  
E exatamente por que esses trabalhos exigiam grande quantidade de pessoas em atividade constante (limpando, reformando, ampliando) e um bom planejamento, surgiram, por volta de 3.700 a.C, Estados centralizadores, que coordenavam tais tarefas.

Estados teocráticos
Especialistas na história da Mesopotâmia acreditam que os primeiros líderes políticos dessas cidades eram escolhidos por uma assembléia de cidadãos, já que a população que as habitava era pequena e cada família oferecia todos os seus membros aptos para as exaustivas tarefas nas obras de irrigação.

A elite privilegiada era formada por sacerdotes que, a fim de aplacar a fúria dos deuses e impedir novos e graves alagamentos, arrebanhavam mão-de-obra para a construção de templos que serviam para o culto religioso e, também, como celeiro para o excedente de produção a ser oferecido ao panteão de divindades. Na prática, contudo, os grãos sustentavam os sacerdotes, representantes dos deuses na terra. Aos poucos, os reis foram sendo associados a essa elite religiosa, surgindo os Estados teocráticos.

Economia e surgimento da escrita
A agricultura floresceu às margens do Tigre e do Eufrates. A base da alimentação era composta por cereais, principalmente a cevada e, em segundo plano, o trigo. O linho e o algodão também eram plantados. Com as obras hidráulicas, o excedente agrícola possibilitava o sustento dos reis, de suas famílias e de um número cada vez maior de funcionários públicos.

O comércio, à base de troca, também prosperou, pois a Mesopotâmia era (e ainda é) muito pobre em metais, pedras preciosas ou semipreciosas e madeira. Quanto mais a produção agrícola aumentava, mais os reis tinham condições de ir buscar em terras distantes produtos para ampliar a produtividade e ostentar seu poder.

Além da agricultura, povos nômades viviam da criação do gado miúdo (cabras, ovelhas, porcos), o que complementava a alimentação e o comércio das cidades. Daí, também, ser necessária a contabilidade da receita que se ampliava. A escrita se desenvolveu, portanto, para controlar a produtividade. As primeiras plaquetas de argila que contêm a escrita cuneiforme demonstram claramente essa importância. E tais plaquetas estão entre as mais antigas formas de escrita do homem.



A religião
Assim como a maioria dos povos da Antiguidade, os mesopotâmicos erampoliteístas. Na Mesopotâmia, um incontável panteão de deuses e semideuses fazia parte da religião.

Apesar de a mitologia mesopotâmica ser ampla e complexa, seus deuses se organizavam em uma hierarquia clara, de acordo com a influência de seu poder. Os mais importantes eram: An (deus do céu), Enlil (deus do ar), Enki (deus da água) e Ninhursag (mãe-terra). Foram eles que, através de suas palavras, teriam criado o mundo. Desse mito talvez tenha nascido a crença no poder das palavras divinas.

Os filhos desses deuses estavam um degrau abaixo na escala de poder divino. Eram milhares de divindades, cada uma responsável por um aspecto do mundo, por uma parte do universo, agindo com o intuito de manter em funcionamento o plano iniciado por seus pais.

Os mesopotâmicos acreditavam que esses deuses, principalmente os deuses criadores, estavam muito distantes e muito ocupados com suas tarefas, para dar atenção às necessidades dos homens. Assim, para suprir as carências humanas, também existiam os deuses pessoais, que cuidavam da orientação de cada indivíduo e de sua família.

Os zigurates
Além disso, cada cidade-estado tinha seu deus protetor, que era honrado pelo rei do local e pelos mais importantes sacerdotes. Um templo em forma de pirâmide de degraus, o zigurate, era construído para servir como sua morada. O mais famoso zigurate foi construído para o deus Marduk, localizava-se na Babilônia e também é conhecido por Torre de Babel.

De qualquer forma, todos os deuses tinham características próximas às humanas (o que chamamos deantropomorfismo): casavam-se, tinham filhos, tinham ataques de fúria ou de extremo amor, podiam ser melancólicos, preguiçosos, invejosos ou, também, alegres, caridosos. Embebedavam-se, eram enganados por outros deuses, brigavam entre si por mais poder. Cada aspecto desses deuses foi relatado por uma longa série de mitos.

Segundo a crença da Mesopotâmia, para que toda a existência fosse ordenada, Enlil (deus do ar) criou o me, uma espécie de "lei universal" que governava a tudo e a todos, inclusive aos deuses. Esse me gerava conforto nos mesopotâmicos, pois sabiam que tudo continuaria eternamente funcionando segundo a ordem divina. E, dentro dessa ordem, acreditavam que o homem tinha sido criado com um único propósito: servir aos deuses, que deveriam ser respeitados, alimentados e abrigados em templos, para que não lançassem sua ira sobre os mortais.

HEBREUS 
*por Rainer de Sousa 

A cultura hebraica tem uma forte relação com o mundo contemporâneo. Levantando apenas um dos mais básicos argumentos que justificam essa afirmação, podemos atribuir a esse povo a criação de uma das maiores religiões do mundo atual: o cristianismo. Tendo essa posição de destaque na compreensão dos valores da cultura ocidental contemporânea, o estudo da civilização hebraica pode nos conceder intrigantes instrumentos de reflexão sobre os nossos valores e nossa cultura. 

A história dos hebreus se confunde com a trajetória de diversos outros povos do mundo antigo. Entre outros episódios podemos destacar o exílio no Egito, a dominação pelos babilônios e a conflituosa relação com as autoridades do Império Romano. Uma das maiores fontes de estudo da trajetória do povo hebreu se encontra na Bíblia, principalmente na parte do conhecido Velho Testamento. Nesse livro, hoje de valor sagrado para o Cristianismo, podemos ver alguns traços da história e da cultura desse povo. 

Em geral, costumamos dividir a história dos hebreus de acordo com as diferentes formas de organização política desse povo. A primeira fase dessa divisão faz referência ao chamado Período dos Patriarcas, onde um líder maior tinha atribuições de caráter religioso, jurídico e militar. Ao longo desse período temos uma fase de transição marcada pelo Êxodo para o Egito onde, fugindo de uma grande seca, essa civilização esteve sobre o domínio do Estado faraônico. 



Depois de conseguirem se livrar da dominação egípcia, os hebreus se organizaram em diferentes tribos sendo cada uma delas comandadas por um juiz. As situações de conflito estabelecidas com os outros povos da região palestina acabaram por viabilizar a formação de uma monarquia centralizada. A fragmentação dos hebreus em dois novos reinos (Judá e Israel) enfraqueceu militarmente os hebreus, que acabaram subordinados aos babilônicos e romanos. 

Após a Diáspora ocorrida no ano 70, os hebreus acabaram se espalhando ao redor do mundo. Suas tradições religiosas acabaram sendo o grande traço cultural capaz de manter os valores desse povo arraigados. Somente na segunda metade do século XX, o movimento sionista judaico foi capaz de estabelecer um novo Estado judeu na região da Palestina. A volta dos judeus ao seu local de origem, ainda hoje, sustenta uma interminável guerra com os árabes que dominaram a região durante todo esse tempo. 


FENÍCIOS 
*por Bruno Ferreira 

Este povo que foi dedicado ao comercio por consequência da sua posição geográfica de um lado uma região montanhosa e com poucas terras cultiváveis do outro o mar do mediterrâneo, desta forma viram no mar o caminho para novas conquistas criaram cidades quase independentes como os gregos e desafiaram o mar em direção ao desconhecido conseguiram seu objetivo de alcançar novos povos. 



Com tanta engenhosidade marítima a pratica sempre foi o seu nome e para tal a escrita deveria ser mais fácil ainda criaram e revolucionaram o modo de escrever e difundiram esse modo no mediterrâneo alguns povos pegaram a partir desta escrita e aperfeiçoaram o alfabeto com 22 símbolos esses foram os gregos e os romanos que influenciaram o nosso alfabeto atual e nossa escrita e etimologia, depois do fim do império o alfabeto foi difundido por outros povos. 

Os fenícios nunca tiveram uma poderoso exercito capaz de enfrentar os inimigos mais poderosos e ricos como Persas, Assírios e Romanos todos estes foram conquistadores dos fenícios que marginalizaram esse povo no seus famosos impérios. 

Portanto sem duvida nenhuma o povo fenício este que hoje podemos localizar no mapa e chamar de libaneses contribuíram e muito para a cultura ocidental. 


PERSAS 
*por Érica Turci 

Em 550 a.C., Ciro, um governante persa, venceu a Média e unificou persas e medos, iniciando o Império Persa sob a dinastia dos aquemênidas. Ciro, conhecido como "o Grande", deu aos medos a mesma condição política e militar dos persas e, ao dominar os elamitas, transformou sua capital, Susa, na nova capital do império. Assim, ao igualar os poderes entre o sul e o norte do Planalto Iraniano, conseguiu criar uma situação de paz interna e, dessa forma, pôde concluir a conquista sobre a Mesopotâmia e a Anatólia. 

Cambises, filho de Ciro, conquistou o Egito. Foi sob o reinado de Dario I que se iniciaram as Guerras Médicas, durante as quais ocorreu a Batalha de Maratona (490 a.C.), que marcou a primeira grande derrota militar persa. 

Ao mesmo tempo em que conseguiu conter diversas sublevações dentro do Império, Dario I manteve a política de seus antecessores com os diferentes povos dominados: cada povo tinha certa autonomia, desde que se mantivesse fiel ao imperador persa, enviando os tributos e fornecendo trabalhadores e contingentes militares. 



Para facilitar a administração de tão vasto domínio, Dario I dividiu o império em satrapias, unidades administrativas que respeitavam os antigos limites políticos dos povos conquistados, e entregou cada uma delas a um sátrapa, nobre de origem persa ou meda, escolhido pelo próprio imperador. O sátrapa, contudo, não podia transferir aos seus descendentes tal privilégio. Além disso, Dario criou uma rede eficiente de estradas e um sistema de correios para viabilizar a comunicação entre as várias regiões. E para manter seus sátrapas constantemente vinculados aos interesses imperiais, aumentou o número de funcionários reais que fiscalizavam cada satrapia (os "olhos e ouvidos do rei"). 

Religião 
Dario I, como grande imperador, ligou o seu nome ao deus Ahuramazda, transformando o zoroastrismo na religião oficial do império. Tal religião se fundamentava nos ensinamentos de Zaratustra (ou Zoroastro), um personagem semilendário que escreveu o livro Zend-Avesta, que fala sobre a existência de um grande deus chamado Ahuramazda, criador de todo o mundo, que no final dos tempos julgaria os humanos a partir de suas atitudes. 

Como contrapartida ao Bem que Ahuramazda representava, existia um deus secundário, Arimã, que quase se igualava em poder a Ahuramazda, mas que representava as forças obscuras do mundo. A luta eterna entre essas duas divindades era o centro da religiosidade persa, e a cada ser humano restava contribuir com suas atitudes cotidianas para que o Bem ou o Mal tivesse mais poder. 

Zaratustra já tinha definido que Ahuramazda venceria Arimã, mas a vitória seria mais fácil com a colaboração humana, e todos aqueles que tivessem contribuído para a vitória do Bem, receberiam em troca a vida eterna. 

Por existirem dois deuses principais no zoroastrismo, muitos falam em uma religião dualista, mas os historiadores defendem que o zoroastrismo seria o inicio ético do monoteísmo de judeus, cristãos e muçulmanos, já que propõe concepções como "luta entre Bem e Mal", "paraíso" e "juízo final", tendo Ahuramazda como sua divindade suprema. 

Quando Xerxes, filho de Dario 1º, assumiu o poder, tinha nas mãos quase um poder divino para governar todo o império. Xerxes teve como prerrogativa continuar a guerra de seu pai contra os gregos (2ª Guerra Médica), mas, ao ser vencido (479 a.C.), voltou seus interesses para a manutenção do império que herdara. Os sucessores de Xerxes se mantiveram ocupados com seus problemas internos até que um rei macedônio, Alexandre Magno, depois de submeter definitivamente a Grécia, em 334 a.C., atravessou o Helesponto e iniciou sua expansão político-militar sobre o Oriente, iniciando o Império Helenístico.




GRÉCIA ANTIGA
*por Fernanda Machado do UOL

A importância de se conhecer a Grécia da Antiguidade (que se desenvolveu entre 2000 a.C. e 500 a.C.) é que a herança de sua cultura atravessou os séculos, chegando até os nossos dias. Foram influências no campo da filosofia, das artes plásticas, da arquitetura, do teatro, enfim, de muitas ideias e conceitos que deram origem às atuais ciências humanas, exatas e biológicas. 

No entanto, não podemos confundir a Antiguidade grega com o país Grécia que existe hoje. Os gregos atuais não são descendentes diretos desses povos que começaram a se organizar a mais de quatro mil anos atrás. Muita coisa se passou entre um período e outro e aqueles gregos antigos perderam-se na mistura com outros povos. Depois, a Grécia antiga não formava uma nação única, mas era composta de várias cidades, que tinham suas próprias organizações sociais, políticas e econômicas. 

Apesar dessas diferenças, os gregos tinham uma só língua, que, mesmo com seus dialetos, podia ser entendida pelos povos das várias regiões que formavam a Grécia. Esses povos tinham também a mesma crença religiosa e compartilhavam diversos valores culturais. Assim, os festivais de teatro e os campeonatos esportivos, por exemplo, conseguiam reunir pessoas de diferentes lugares da Hélade, como se chama o conjunto dos diversos povos gregos. 


Cidades-Estados 
Essa Grécia de 4.000 anos atrás era formada por ilhas, uma península e parte do continente europeu. Compunha-se de várias cidades, com seus Estados próprios, que eram chamadas de cidades-Estados. Essas cidades localizavam-se ao sul da Europa, nas ilhas entre os mares Egeu e Jônio. Algumas das cidades gregas de maior destaque na Antiguidade foram Atenas, Esparta, Corinto e Tebas. 

Essas cidades comercializavam e ao mesmo tempo guerreavam entre si. As guerras eram motivadas pelo controle da região e para se conseguir escravos, os prisioneiros de guerra, que moviam grande parte da economia daquelas sociedades. 

Afora os escravos e os pequenos proprietários, havia os cidadãos propriamente ditos, naturais da cidade e proprietários de terras, que tinham direitos políticos e podiam se dedicar a atividades artísticas, intelectuais, guerreiras e esportivas. Isso indica que as pessoas com mais prestígio e propriedade cuidavam exclusivamente do aprimoramento do corpo e da mente. Os mais pobres e os escravos eram quem movimentava a economia, fazendo o trabalho braçal, considerado, então, como algo desprezível. 


Influência de Creta, Egito e Fenícia 
Esses diversos povos gregos organizaram-se e ganharam força por volta do ano 2.000 a.C. A cultura grega tornou-se tão importante porque foi a síntese, o resumo, de diversas outras culturas da Antiguidade, dos povos que viveram na África e no Oriente Médio. Assim, os gregos conheceram os cretenses, que eram excelentes navegadores. Tiveram contato com os egípcios, famosos nos nossos dias pelo complexo domínio de conhecimentos técnicos que possuíam e por sua organização social. 

Por fim, a influência dos fenícios também foi muito importante na cultura grega. Os fenícios foram o povo, naquela parte do planeta, que havia inventado o alfabeto cerca de 1.000 anos a.C. Esse alfabeto foi aperfeiçoado pelos gregos, que por sua vez deu origem ao alfabeto latino, inventado pelos romanos. Como se sabe, a língua portuguesa, que nós falamos, tem origem latina. 

Todo esse processo demonstra como ocorreram frequentes intercâmbios entre os povos ao longo da história da humanidade, embora muitos conhecimentos e invenções tenham se perdido ou deixado de fazer sentido quando essas civilizações desapareceram. 


Sociedade espartana 
As cidades-Estados sobre as quais sobreviveram mais informações são Atenas e Esparta. Essas sociedades eram, aliás, bem diferentes e frequentemente lutaram uma contra a outra. A sociedade espartana era considerada rígida (nos dias de hoje, quando queremos dizer que alguma coisa ou pessoa é muito cheia de regras, fechada, dizemos que é "espartana"). Em Esparta, os homens viviam para a vida militar. 


Eles só podiam casar depois de terem sido educados pelo Estado, em acampamentos coletivos, onde viviam dos 12 até os 30 anos. Para o governo, existiam os conselhos de velhos, que controlavam a sociedade e definiam as leis. As mulheres espartanas cuidavam da casa e tinham também uma vida pública: administravam o comércio na ausência dos homens. 


Atenas e a democracia 
Já Atenas, que foi considerada o exemplo mais refinado da cultura grega, teve seu apogeu cultural e político no século 5 a.C. Na sociedade ateniense, diferentemente de Esparta, as decisões políticas não estava nas mãos de um conselho, mas sim no governo da maioria, a democracia. Dentro desse sistema, todos os cidadãos podiam representar a si mesmos (não precisavam eleger ninguém) e decidir os destinos da cidade. Ao mesmo tempo em que Atenas abria o espaço para os cidadãos, reservava menor espaço para as mulheres do que na sociedade espartana. Em Atenas, as mulheres, assim como os escravos, não eram consideradas cidadãs. 


Os jogos olímpicos 
De tempos em tempos, as civilizações que surgiram após os gregos - inclusive a nossa - voltam seus olhos para essa cultura tão antiga, chegando mesmo a retomar alguns de seus costumes. Assim aconteceu, por exemplo, com os Jogos Olímpicos. Essa atividade ganhou importância no mundo ocidental na primeira metade do século 20, como uma forma de celebrar pacificamente a rivalidade entre os países que se confrontaram em duas Guerras Mundiais. Na verdade, as Olimpíadas foram reinventadas no final do século 19, ou seja, mais de 2.000 anos depois de terem sido extintas. 


Na Grécia Antiga, os jogos olímpicos eram um ritual de homenagem a Zeus (o deus máximo de uma religião com muitos deuses). Esses jogos realizavam-se na cidade de Olímpia e envolviam todas as cidades-Estados da Hélade em várias competições de atletismo. Dentre as modalidades de esporte que se praticavam havia a corrida, a luta livre, o arremesso de discos, salto e lançamento de dardos. Os vencedores voltavam às suas cidades com uma coroa de folhas de oliveira e um imenso prestígio. 

Os macedônios e a cultura helenística 
No entanto, após o esplendor de Atenas no século 5 a.C., as cidades-Estados gregas foram perdendo seu poder e acabaram conquistadas e unificadas pelos macedônios, no século 4 a. C. Sob o domínio de Alexandre, o Grande, a cultura grega se expandiu territorialmente, indo do Egito à Índia, num processo em que simultaneamente influenciava e sofria influências. Essa cultura que correu mundo, tendo como raiz a tradição grega, foi chamada de cultura helenística. 

Por fim, no século 1 a.C., foi a vez dos romanos chegarem à Grécia antiga, conquistando-a. Ainda que Roma tenha incorporado a maior parte dos valores gregos, inaugurando a cultura greco-romana, os povos gregos da Antiguidade não conseguiram mais obter sua autonomia política e assim foram, ao longo dos séculos, desaparecendo.


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