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segunda-feira, 19 de agosto de 2019

1ª Série - 3º Bimestre - Revisão para Prova 1

RENASCIMENTO CULTURAL E CIENTÍFICO

Folha Educação 
UOL Educação 

O Renascimento pode ser considerado como um marco do início da Idade Moderna, uma vez que reflete o desenvolvimento de uma nova vida e de uma nova mentalidade, vinculadas à ascensão da cidade e da burguesia. 

Foi nas cidades italianas que essa nova cultura se desenvolveu, cidades mercantis desde as Cruzadas, que viram o nascimento de uma camada social ligada ao comércio: a burguesia. Nos séculos XV e XVI, o Renascimento se espalha pela Europa. 

A vida urbana, por si só, implicava o estabelecimento de novas formas de relacionamento social, diferentes daquelas estabelecidas no mundo feudal. Somam-se a isso a necessidade de justificar o comércio e a preocupação com a obtenção do lucro, mentalidade condenada pela Igreja Católica. 

Outros fatores contribuíram para o surgimento e para o desenvolvimento desse movimento, como o aperfeiçoamento da imprensa (criada por Gutenberg e que contribuiu para a difusão do conhecimento para um grupo maior de pessoas), a decadência de Constantinopla e a prática do mecenato (burguesia rica, que se dispôs a financiar a produção artística e intelectual da época).

Os tipos móveis, de Gutenberg

Lourenço de Médicis, um dos mais importantes mecenas do Renascimento

O Renascimento cultural foi a retomada dos valores clássicos, greco-romanos, mas não devemos considerá-lo uma cópia, pois os valores são semelhantes, mas não as ideias. As características revalorizadas foram o racionalismo, o antropocentrismo (em oposição à cultura medieval, teocêntrica), o individualismo, o hedonismo, o naturalismo e o otimismo. Foi um movimento de glorificação do homem. 

O Homem Vitruviano, Leonardo da Vinci (1492)

De modo geral, pode-se dizer que o Renascimento ocasionou uma imensa renovação nos mais variados campos do conhecimento e produziu artistas, pensadores, cientistas cujos trabalhos influenciaram toda a produção intelectual dos séculos seguintes.




REFORMA RELIGIOSA

UOL Educação 

As reformas protestantes inseriram-se no contexto mais amplo que marcou a Europa a partir da Baixa Idade Média, expressando a superação da estrutura feudal tanto em termos da fé como também em seus aspectos sociais e políticos. 

A constante busca por um aumento da renda que sustentava o imenso luxo em que vivia o clero, levou a Igreja a intensificar, durante a Idade Média, práticas como a venda de relíquias sagradas ou de cargos eclesiásticos (práticas conhecidas como simonia) e a venda de indulgências (absolvição dos pecados cometidos). 

Carta de indulgência

Há outros elementos decisivos nesse processo. Os reis, ao buscarem se fortalecer politicamente, vão entrar em choque com o poder da Igreja. Na Inglaterra, por exemplo, romper com a Igreja Católica e criar uma nova Igreja sob seu comando foi a forma encontrada pelo rei para se libertar do poder político do papado. 

Além disso, os dogmas da Igreja, de condenação à usura e ao lucro excessivo, representavam um forte obstáculo para a burguesia, que vai ter interesse em romper com os entraves impostos pelo catolicismo e adotar uma nova religião, para a qual suas práticas não se constituíssem em pecados e fossem consideradas como dignificantes do homem. 

LUTERANISMO 
Em 1517, o monge Martinho Lutero fixou na porta da catedral de sua cidade um documento intitulado "95 Teses Contra as Indulgências". Nele, não apenas Lutero criticava violentamente a prática da Igreja, denunciando que o dinheiro das indulgências era usado para financiar o luxo do clero e atacando seu desregramento, como também se opunha a dogmas da Igreja. Ao afirmar que as indulgências eram incorretas, pois o fiel se salva não pelos atos que pratica, mas pela fé, Lutero incorria numa negação à doutrina da Igreja, uma heresia do ponto de vista da Igreja Católica, expondo-se assim à ação da Inquisição. 

Lutero pregando suas 95 teses

Excomungado como herege em 1520 pelo papa, príncipes alemães e a alta nobreza ocultaram Lutero num castelo da Saxônia, impedindo sua execução.  Durante os três anos em que ficou oculto, Lutero traduziu a Bíblia para o alemão, numa forma de tornar seu conhecimento mais difundido entre a população, de modo a provar o quanto a Igreja havia se afastado dos propósitos cristãos. Em sua maioria, os príncipes alemães declararam-se adeptos da nova religião proposta por Lutero. 

Por outro lado, as ideias de Lutero despertaram o apoio dos camponeses, vendo nos ataques à Igreja uma oportunidade de reduzirem o grau de profunda desigualdade e exploração. Lutero voltou-se violentamente contra esses movimentos, posto que, dependente do apoio dos nobres, ele jamais poderia colocar-se ao lado de revoltas camponesas. 

Já em 1527, Lutero elaborou a Confissão de Augsburgo, que estabelecia os princípios de sua doutrina. Por ela estabelecia-se: que as Escrituras Sagradas eram o único dogma da nova religião; a fé era vista como a única fonte da salvação; a livre interpretação da Bíblia passava a ser permitida; adotava-se o alemão, e não mais do latim, como idioma nos cultos religiosos; a Igreja passava a ficar submetida ao Estado; e, finalmente, permaneciam apenas dois sacramentos: o batismo e a eucaristia. 

CALVINISMO 
João Calvino (1509-1564), que, fugindo da perseguição aos protestantes na França, refugiou-se na cidade de Genebra. Já em 1536, Calvino publicou sua obra "Instituição da Religião Cristã". Segundo a visão de Calvino, a salvação só se alcança através da fé, mas ela é concedida por Deus a alguns eleitos (predestinação), sendo que o homem é pecador por natureza. O culto foi ainda mais simplificado, resumindo-se a comentários bíblicos feitos por sacerdotes sem paramentos, em igrejas simples e despojadas de imagens. A exemplo do luteranismo, apenas o batismo e a eucaristia foram conservados.  

João Calvino: predestinação divina

"Deus chama a cada um para uma vocação particular cujo objetivo é a glorificação dele mesmo. O comerciante que busca o lucro, pelas qualidades que o sucesso econômico exige: o trabalho, a sobriedade, a ordem, responde também o chamado de Deus, santificando de seu lado o mundo pelo esforço e sua ação é santa". Essa passagem demonstra que as ideias de Calvino possuíam conformidade com a sociedade urbana em formação, o que fez com que seu pensamento fosse difundido rapidamente, muito mais do que as ideias luteranas. 

ANGLICANISMO 
O aspecto político das reformas teve, na Inglaterra, sua manifestação mais evidente. O próprio fato de a reforma religiosa ter sido conduzida diretamente pelos reis ingleses serve como comprovador dessa visão. Em meio à crise provocada na Alemanha pelo movimento luterano, Henrique VIII aproveitou-se do momento favorável para estabelecer um confronto com o papado. 

Henrique VIII: rei da Inglaterra que rompeu com o catolicismo

Casado com a nobre espanhola, Catarina de Aragão, Henrique VIII tivera com ela uma filha, Mary. Impossibilitada de ter outros filhos, Catarina criava uma situação potencialmente perigosa para a monarquia inglesa. Sem filhos homens (o trono inglês jamais fora ocupado até então por uma mulher), Henrique VIII alegava o risco de morrer sem um herdeiro. Alegando a imperiosa necessidade de um herdeiro, Henrique solicita ao papa a anulação de seu casamento com Catarina. Tratava-se de uma manobra obviamente destinada a criar um confronto. 

Ante a recusa papal, Henrique VIII anulou por conta própria seu casamento, desposando, em seguida, Ana Bolena. Excomungado pelo papa, Henrique VIII reagiu, em 1534, com o Ato de Supremacia, por meio do qual ele criou uma Igreja nacional chamada Igreja Anglicana, da qual era o chefe. Confiscou ainda os bens do clero católico na Inglaterra, distribuindo-os especialmente entre a gentry, a camada de pequenos e médios proprietários rurais, o que lhe assegurou uma ampla base de apoio. 

CONTRARREFORMA 
A contínua expansão do protestantismo por toda Europa colocou a Igreja Católica em uma situação crítica. Impunha-se uma reforma para moralizar o clero e, ao mesmo tempo, desencadear o combate às novas religiões, classificadas como heresias. 

O surgimento da Companhia de Jesus, em 1534, por obra de Ignácio de Loyola, revelou-se fundamental para a realização da Reforma católica. Os jesuítas, chamados de "soldados de Cristo", devotavam cega obediência ao papa. Em 1543 foi elaborado o Index Librorum Prohibitorum, ou simplesmente Index, um catálogo que incluía obras de leitura proibida aos católicos. 

O Concílio de Trento reuniu-se em 1545, durando até 1563. Ele produziu uma Igreja reformada, embora os dogmas católicos não sofressem alteração: o princípio da salvação pelas boas obras foi confirmado; o culto à Virgem e aos santos foi reafirmado; a infalibilidade papal, o celibato clerical e a indissolubilidade do casamento foram mantidos. A disciplina do clero foi restabelecida: fixaram-se condições e idades mínimas para o exercício das funções eclesiásticas; a venda de indulgências foi proibida. Criaram-se seminários para a formação dos eclesiásticos. 

Com a Igreja revigorada, os católicos dedicaram-se à Contrarreforma, com o sistemático combate às religiões protestantes. Internamente, a Inquisição encarregou-se de manter o controle sobre as populações católicas, perseguindo os heréticos e contendo a difusão das doutrinas protestantes. 

O maior êxito da Contrarreforma deu-se pela difusão do catolicismo entre os povos pagãos, por meio da catequese. Graças ao controle ibérico sobre a maioria da América, as massas indígenas foram convertidas, e os esforços, especialmente dos jesuítas.

GRANDES NAVEGAÇÕES

A parte que nos interessa desse documentário (visando a prova) é do início até os 4 minutos e 45 segundos.

 

quarta-feira, 5 de junho de 2019

1P - FORMAÇÃO NOS ESTADOS NACIONAIS MODERNOS

Mundo Educação 
Historianet 
UOL Educação 

O processo de formação das monarquias nacionais europeias remonta uma série de mudanças que se iniciaram durante a Baixa Idade Média. De fato, o processo de consolidação das monarquias foi um dos mais evidentes sinais das transformações que assinalavam a crise do sistema feudal e a construção do sistema capitalista, legitimado pela nascente classe burguesa. No entanto, mesmo a surgir nesse contexto de mudança, as monarquias não simbolizavam necessariamente a crise do poder nobiliárquico. 

Nesse sentido, a constituição das monarquias pode ser compreendida enquanto um processo que conseguiu atender simultaneamente os interesses dos nobres e dos burgueses. Por um lado, a formação das monarquias conseguiu conter as diversas revoltas camponesas que marcaram os finais da Idade Média com a reafirmação da propriedade feudal. Por outro, essas mesmas monarquias implantaram um processo de padronização fiscal e monetário que atendia a demanda econômica da classe burguesa. 

Grande parte dos impostos arrecadados era utilizada para organizar os exércitos responsáveis pela contensão dos conflitos internos e a defesa dos interesses políticos da nação contra os demais estados estrangeiros. Nesse sentido, percebemos que a Europa moderna foi marcada por intensos conflitos aonde o controle por territórios instalou sucessivos episódios de guerra. A partir dessa nova demanda, exércitos permanentes foram formados sem a intervenção personalista da classe nobre. 

No campo econômico as atividades comerciais tinham papel fundamental no enriquecimento e consolidação da autoridade real. Por isso, diversos reis ficaram preocupados em adotar medidas que protegessem a economia contra a entrada de produtos estrangeiros (protecionismo) e conquistar áreas de exploração colonial, principalmente, no continente americano. Dessa forma, podemos ver que o Estado Absolutista teve grande papel no desenvolvimento da economia mercantil. 

O rei, sendo a expressão máxima desse tipo de governo, contou não só com auxílio dos grupos sociais burgueses e nobiliárquicos. Tendo a Europa preservado uma forte religiosidade, foi de fundamental importância que a Igreja reafirmasse a consolidação dessa nova autoridade por meio de justificativas ligadas à vigente fé cristã. Nesse sentido, o rei era muitas vezes representado e idealizado como um representante dos anseios divinos para com a Nação. 

Sendo esse um processo histórico que permeou toda a Europa Ocidental, a ascensão das autoridades monárquicas foi claramente observada entre os séculos XII e XV. Entre os principais representantes dessa nova experiência política podemos destacar a formação das monarquias em Portugal, na Espanha, na Inglaterra e na França. O auge desse tipo de governo foi vivido entre os séculos XVI e XVII. 

INGLATERRA E FRANÇA 
No reinado de João sem terra, os ingleses foram derrotados pelos franceses, em 1214. Até então, grande parte do território que hoje pertence à França esteve sob domínio inglês. A derrota deste monarca significou não só a perda territorial, mas também de poder político, pois foi forçado a aceitar a Magna Carta (1215) documento imposto pelos barões ingleses, obrigando o rei a reconhecer os direitos de seus súditos. Muitos consideram esse documento como precursor das liberdades individuais na Inglaterra e da própria formação do Parlamento. 

João Sem Terra assinando a Magna Carta (1215)

A derrota de João sem Terra, representou por sua vez um momento importante na história francesa: a vitória de Felipe II - Augusto -. Essa vitória foi de grande importância para o início concreto da centralização política e para o início da formação de uma nação. 

Fortalecido, o rei pode impor seu poder a um número maior de nobres, aumentando consideravelmente seus domínios, porém ainda longe de consolidar a nação. A França ainda enfrentará outras guerras até a consolidação concreta do poder, com o absolutismo surgindo apenas no início do século XVII. 

PESTE NEGRA


GUERRA DOS CEM ANOS 
Os efeitos da guerra foram consideráveis, notadamente para a França. A Guerra dos Cem Anos ajudou a estabelecer uma ideia de nação, acabou com todas as pretensões inglesas sobre territórios franceses e tornou possível a criação de algumas instituições de governo centralizadas, que prenunciavam o aparecimento da monarquia absolutista. No caso da Inglaterra, a derrota levou à reação de um setor da nobreza contra a monarquia, visando basicamente recuperar as perdas territoriais na França. Essa reação foi a principal responsável pela eclosão da maior guerra civil inglesa, a Guerra das Duas Rosas.

Guerra dos Cem Anos: conflito colaborou para a formação de uma identidade nacional francesa

1P - 2º Bim - RENASCIMENTO COMERCIAL E URBANO

por Fernanda Machado

A Idade Média (476 a 1453) costuma ser conhecida como a época em que a economia européia esteve praticamente estagnada. Essa afirmação é feita porque a maior parte da população vivia nos feudos, que eram grandes áreas cercadas e isoladas uma das outras, com uma economia quase auto-suficiente. Desse modo, costuma-se dizer que o comércio de produtos praticamente desapareceu no período medieval.

No entanto, devemos relativizar essa idéia. Durante a Idade Média continuaram a existir profissionais como os artesãos (ferreiros e construtores de máquinas, por exemplo), comerciantes e negociantes. As pessoas não deixaram de adquirir certos equipamentos fundamentais à prática da agricultura (como enxadas e arados), que eram, portanto, fabricados e comercializados. Ainda que essas atividades de comércio tenham sido bastante restritas, numa Europa separada por feudos e ameaçada por guerras entre os povos do continente, isso não significa que elas tenham desaparecido.
Pintura que retrata uma feira comercial medieval
O período de auge do feudalismo foi o que se costuma chamar de Alta Idade Média (séculos V a X). Mas, a partir do século X, as coisas começaram a mudar. Diversos fatores ajudam a explicar por que a agricultura deixara de ser a principal atividade econômica, abrindo espaço para o chamado Renascimento comercial, que, a partir do século XI, inaugurou definitivamente a Baixa Idade Média, que se estenderia até o século XV.

Assim, a Europa vivia em meados do século X uma relativa época de paz, já que os ataques de um reino a outro haviam diminuído bastante. Essa queda no número de conflitos foi responsável por um considerável aumento populacional: em 300 anos a população da Europa cresceu de 8 milhões para 26 milhões de habitantes. Isso gerou um excedente populacional, que começou a necessitar de mais espaço e a expandir-se para além dos feudos.

Anteriormente, havia a população de comerciantes, negociantes e artesãos que, devido à sua prática profissional itinerante, começaram a se fixar no entorno dos feudos, constituindo, assim, as vilas e burgos. Dessa forma, aqueles que moravam nessas localidades eram conhecidos como burgueses e, ao longo dos séculos, essa denominação passou a denominar os comerciantes e os homens ricos.

Com o aumento demográfico na Europa, a população dos burgos foi crescendo também. Isso se dava porque muitos servos acabavam por fugir dos feudos para escapar das imposições da relação servil. Ou ainda, porque aqueles servos que mais causavam problemas aos seus senhores eram expulsos de suas terras, indo engrossar a população das vilas. Assim, essas pequenas localidades começaram a crescer e se tornar importantes concentrações de trabalhadores livres e comerciantes, onde passaram a ser organizadas feiras permanentes, o que resultou no surgimento de inúmeras cidades.
Village Baux (França): vila que nasceu e se desenvolveu aos pés de um castelo medieval

Como anteriormente a maior parte da Europa era constituída por feudos, esse processo foi chamado de "Renascimento urbano", pois as cidades voltaram a se tornar importantes núcleos econômicos. Ao mesmo tempo, isso indicou também a decadência dos vínculos feudais, pois os moradores da cidade passaram a negociar com os senhores o fim do pagamento de tributos e serviços, através da compra da chamada carta de franquia.

O aumento da liberdade política e econômica foi propiciando o aprimoramento do trabalho urbano. Os artesãos, que faziam os produtos consumidos pelos europeus, passaram a ser organizar em entidades para além de suas cidades. Para isso, formaram as guildas e as corporações de ofícios, que eram associações de trabalhadores de determinados profissões. Por exemplo, uma corporação de sapateiros ditava as normas de fabricação de seus produtos e as formas de sua comercialização, a fim de proteger esses profissionais no mercado e propiciar seu lucro.

Imagem simbolizando artesãos medievais realizando seu trabalho
Ainda que tenha favorecido principalmente o comércio, essa expansão espacial pelo continente europeu foi estimulada até pelos nobres feudais. Os donos dos feudos viam seus campos serem esgotados pela exploração contínua e tinham interesse em expandir suas riquezas territoriais. Assim, incentivavam a ocupação de outras áreas por seus servos, que através de outras formas de cultivo (como a utilização rotativa do solo) e do uso de um tipo de arado mais resistente, conseguiram expandir também a produção agrícola, num processo chamado de "Renascimento agrícola".

"Renascimento agrícola": melhorias no campo
Houve, por sua vez, um outro fator que caminhou paralelamente a esse novo comércio europeu e foi, ao mesmo tempo, o que contribui para que ele se expandisse mais: as Cruzadas. A Igreja católica, aproveitando-se da legião de homens desocupados nos centros urbanos, começou a realizar expedições para além dos limites continentais, dando um outro sentido para a economia medieval.
Cruzadas: conflito além dos motivos religiosos
Com a justificativa de conquistar povos para a fé cristã e ao mesmo tempo reconquistar territórios de outros povos, nasceram as Cruzadas, expedições militares e religiosas que foram praticadas durante quase 200 anos, entre os séculos XI e XIII. Foram realizadas oito dessas expedições nesse período, que atravessaram o continente europeu, cruzaram mares e chegaram a outros continentes. Isso fez com as rotas comerciais acompanhassem esse traçado aberto pela cruz e pela espada.

Artigo retirado de:
http://educacao.uol.com.br/historia/ult1690u19.jhtm

1P - 2º Bim - IGREJA MEDIEVAL

*por Fernanda Machado

Poder e riqueza da Igreja Católica
A partir do século 10, com a desagregação política que caracterizou a Idade Média, sem um poder centralizador no continente europeu que comandasse os diversos povos que nele viviam, a Igreja Católica obteve espaço para ir expandindo cada vez seu "império da fé". Assim, acreditar em Cristo pressupunha uma série de regras que todo indivíduo deveria seguir para merecer um lugar após a sua morte no Paraíso celeste, ao lado de Deus.

Objetivando fazer os povos merecerem esse lugar no Paraíso, a Igreja instruía os fiéis a não pecarem, obedecendo aos mandamentos divinos e fazendo caridade. Essa caridade, por sua vez, além da ajuda ao próximo, também estavam diretamente relacionadas à doação de bens para a Igreja Católica, a fim de ajudá-la a prosseguir em sua missão.

Os nobres, então, como forma de se livrarem do que a religião considerava seus pecados terrenos, deveriam doar à Igreja bens materiais, como dinheiro, terras e riquezas. Portanto, o crescimento do poder dessa instituição e o tamanho de sua fortuna estão diretamente relacionados com a capacidade que a Igreja tinha de fazer com que os fiéis acreditassem nas verdades que ela pregava. Mais do que acreditar nelas, os fiéis deveriam temer a ira divina e o risco de queimarem no fogo do Inferno após a morte.

Mas como a Igreja fazia os povos acreditarem nisso e a obedecerem? Em primeiro lugar, não foi fácil o processo de definição sobre quais práticas cristãs eram certas ou erradas. Desde o século 4, sob o Imperador romano Constantino, começaram a definir-se os dogmas, com o Concílio de Nicéa, realizado em 325. Os dogmas são as verdades inquestionáveis que norteiam os católicos. No decorrer dos séculos, outros dogmas foram sendo criados, alguns foram reafirmados, outros negados.

Arquitetura e arte cristã
Esse é o sentido das enormes catedrais, com imagens e vitrais que mostravam as personagens e passagens bíblicas. A maioria da população européia, quase a totalidade dos pobres, era analfabeta nesse período. Assim, as imagens das igrejas eram um meio de ensinar os fiéis as histórias bíblicas. Além disso, o ar monumental, sombrio e grandioso dos vitrais e estátuas tinham o sentido de impressionar os fiéis, a fim de que não desobedecerem os mandamentos de Deus.

Essas características descritas acima definem os estilos arquitetônicos românico e gótico. Ainda é possível encontrar igrejas como essas até os dias de hoje. Isso se dá ou porque elas sobreviveram em alguns lugares da Europa por mais de mil anos, ou foram copiadas, alguns séculos depois, em outros lugares do mundo. A Catedral da Sé, em São Paulo, por exemplo, reproduz o estilo gótico medieval.


Igreja da Nossa Senhora da Azinheira (Portugal) com seus traços de arquitetura românica e a Catedral de Colônia (Alemanha) com seus traços de arquitetura gótica

Heresias, perseguições e tortura
A segunda estratégia dos católicos para impor sua fé e seu poder foi a perseguição e a guerra religiosa. A perseguição aconteceu desde os primeiros tempos em que a Igreja Católica se consolidou no século 4. No decorrer dos séculos, essa perseguição foi se tornando cada vez mais feroz, terminando, inclusive, em condenação à morte dos pecadores.

Houve, então, a caça aos hereges, aqueles que discordavam dos ensinamentos da Igreja e interpretavam o cristianismo de uma outra forma. Eles foram perseguidos pelo Tribunal do Santo Ofício, conhecido também como Tribunal da Inquisição, criado no ano de 1231, para combater o catarismo, uma seita cristã dissidente do catolicismo romano.

Muitas vezes, mesmo sem um conjunto de provas bem acabado, uma pessoa poderia ser acusada de transgredir o catolicismo e, com isso, obrigada a se apresentar a um tribunal. Geralmente, quando a confissão não era prontamente declarada, os condutores do processo estipulavam a prisão do acusado. Nesse momento, o possível herege era submetido a terríveis torturas que pretendiam facilitar a confissão de todos os crimes dos quais era acusado.

As torturas poderiam ser variadas. Em uma última modalidade da série, podemos destacar a utilização da chamada “tortura d’água”. Neste aparelho de tortura, o acusado era amarrado de barriga para cima em uma mesa estreita ou cavalete. Sem poder esboçar a mínima reação, os inquisidores introduziam um funil na boca do torturado e despejavam vários litros de água goela abaixo. Algumas vezes, um pano encharcado era introduzido na garganta, causado a falta de ar.


Tortura d´água e do pendulo


Tortura - Cama de estiramento, Iron Maiden (Dama de Ferro) e Cadeira Inquisitória


Iluminura medieval que representa a queima de pessoas consideradas hereges

O conhecimento e as universidades
Para concluir, é importante entender que, ao mesmo tempo em que a Igreja Católica teve o controle das práticas e do pensamento de grande parte das populações européias, usando para isso, inclusive, de meios cruéis, foi no seu interior, que importantes práticas culturais se desenvolveram. Por exemplo, as universidades surgiram em decorrência das atividades de ensino e reflexão filosófica praticadas no interior dos mosteiros.

Os mosteiros eram locais de reclusão do clero, onde os homens que estudavam a doutrina cristã, mantinham-se praticamente isolados da vida em sociedade, dedicando-se ao conhecimento. Os monges formavam, desse modo, o clero regular, que indicava o regime de reclusão ou semi-reclusão em que viviam. Em contraste, havia o clero secular (que vem da palavra mundo, em latim), que cuidava da administração da Igreja e do contato direto com os fiéis: eram o Papa, os bispos, os padres etc.

Dessa forma, foi, então, através do ensinamento dos padres que o conhecimento desenvolveu-se no período medieval na Europa. Assim, dentro das igrejas e catedrais, ensinavam-se às pessoas de origem nobre assuntos como gramática, retórica, lógica, geometria, música, dentre outros.
Iluminura do século XV que mostra uma cena de aula na Universidade de Bolonha (Itália)

Por fim, a partir do século 11, com a demanda por conhecimentos mais práticos na área do comércio e da negociação, as universidades surgiram, inicialmente controladas pela Igreja. Em diversos pontos da Península Itálica, na França e na Inglaterra apareceram essas primeiras instituições de ensino superior. Já no final do século 14, havia mais de 40 instituições deste tipo espalhadas pelo continente europeu.


Universidade de Oxford (Inglaterra)

Música e literatura
Poucas vezes o Homem teve a sua existência tão marcada pela espiritualidade quanto na Idade Média, e poucas vezes foi tão feliz ao tentar imprimir na arte os sinais do invisível.

A rápida expansão do cristianismo exige um maior rigor do Vaticano, que unifica a prática litúrgica romana no século VI. O papa Gregório I (São Gregório, o Magno) institucionaliza ocanto gregoriano, que se torna modelo para a Europa católica. A notação musical sofre transformações, e os neumas são substituídos pelo sistema de notação com linhas. O mais conhecido é o de Guido d'Arezzo (995? 1050?). No século XI, ele designa as notas musicais como são conhecidas atualmente: ut (mais tarde chamada dó), ré, mi, fá, sol, lá, si.



Os sistemas de notação impulsionam a música polifônica, já em prática na época como a música enchiriades, descrita em tratado musical do século IX, que introduz o canto paralelo em quintas (dó-sol), quartas (dó-fá) e oitavas (dó-dó). É designado organum paralelo e no século XII cede espaço ao organum polifônico, no qual as vozes não são mais paralelas e sim independentes umas das outras.

A atividade de compositores profanos, como os minnesangers e os meistersangers germânicos e os trovadores e troveiros franceses, é intensa entre os séculos XII e XIII. Os trovadores da Provença, ao sul da França, e os troveiros, ao norte, exercem forte influência na música e poesia medievais da Europa. Suas músicas de cunho popular, em dialetos franceses, enfatizavam aforismos políticos (como no compositor-poeta Marcabru), canções de amor (Arnaud Daniel, Jofre Rudel e Bernard de Ventadour), albas, canções de cruzadas, lamentações, duelos poético-musicais e baladas. As bases para suas melodias são os modos gregorianos, porém de ritmo marcado e dançante, com traços da música de origem moçárabe do mediterrâneo.

Adam de la Halle (1237-1287) troveiro francês, menestrel da corte de Roberto II de Arras, a quem acompanha em viagens a Nápoles. Trata seus poemas em composições musicais polifônicas, como os 16 rondós a três vozes e 18 jeu partis (jogos repartidos), em que se destacam o Jogo de Robin e Marion e o Jogo da folha, que podem ser classificados como as primeiras operetas francesas.
O Trovadorismo é a primeira manifestação literária da língua portuguesa. Seu surgimento ocorre no mesmo período em que Portugal começa a despontar como nação independente, no século XII; porém, as suas origens dão-se na Provença, de onde vai se espalhar por praticamente toda a Europa.

Fonte:
http://educacao.uol.com.br/historia/
http://www.historiadomundo.com.br
http://reflexaoemmusica.blogspot.com/2009_05_03_archive.html

1P - 2º Bimestre - ORIGENS DO FEUDALISMO E SUAS DIVISÕES SOCIAIS

O feudalismo é o modo de produção que ocorreu em partes da Europa, durante boa parte da Idade Média. A maioria da população se estabeleceu nos feudos (unidades políticas independentes), visando ficar longe das cidades que sofriam com ataques e pilhagens. 

As origens do feudalismo remontam ao século III, quando o sistema escravista de produção no Império Romano entrou em crise. Diante da crise econômica, militar e das invasões germânicas, muitos dos grandes senhores romanos abandonaram as cidades e foram morar nas suas propriedades no campo. Esses centros rurais, conhecidos por vilas romanas, deram origem aos feudos medievais. 

No sistema feudal, o rei concedia terras a grandes senhores. Estes, por sua vez, davam terras a outros senhores menos poderosos, chamados cavaleiros, que, em troca lutavam a seu favor. Quem concedia a terra era um suserano, e quem a recebia era um vassalo. As relações entre o suserano e o vassalo eram de obrigações mútuas, estabelecidas através de um juramento de fidelidade. 

A sociedade feudal era dividida em camadas sociais e a passagem de uma camada social para a outra era praticamente impossível. De acordo com a função específica de cada camada alguns historiadores classificam-na como uma sociedade formada por aqueles que lutam (nobres), aqueles que rezam (clero) e aqueles que trabalham (servos). Os servos não tinham a propriedade da terra e estavam presos a ela. Não podiam ser vendidos como se fazia com os escravos, nem tinham liberdade de abandonar as terras onde nasceram. 

A nobreza e o clero compunha a camada dominante dos senhores feudais, ou seja, aqueles que tinham a posse legal da terra e do servo e que dominavam o poder político, militar e jurídico. O alto clero era composto pelos seguintes membros: papa, arcebispos e bispos. O baixo clero era composto pelos padres, e monges. 

A nobreza era também hierarquizada estando dividida em alta e baixa nobreza. Alta nobreza: duque, marquês e conde. Baixa nobreza: visconde, barão e cavaleiro. Os servos viviam em extrema miséria, pois, além de estarem presos à terra por força de lei, estavam presos aos senhores, a quem deviam obrigações como: 
• a talha (dar parte da produção ao senhor feudal); 
• a corvéia (trabalhar alguns dias na semana nas terras do senhor); 
• as banalidades (pagamento ao senhor pela utilização das instalações do feudo). 

Referências: 
http://educacao.uol.com.br/historia/ult1690u14.jhtm 
http://www.historiadomundo.com.br/idade-media/feudalismo.htm